Capitão da PM: “Atuar em crises faz parte da natureza da atividade policial e militar”

Aline Tonello/Carol Debiasi

Os primeiros minutos após o tornado em Xanxerê foram de dificuldades para todos. No caso da Polícia Militar de Xanxerê sem a comunicação o problema era saber a dimensão do que de fato ocorria naquela região do Bairro dos Esportes, onde o ginásio estava no chão, onde casas haviam sido também destruídas e, onde duas pessoas já haviam morrido. Foi por via rádio que ocorreu o primeiro contato com a PM de Bom Jesus, para que o Comando Geral fosse comunicado e, assim, as forças chegassem para o apoio necessário.

O comandante do policiamento local, capitão Ademir Barcarollo relembra daquele 20 de abril. Confira a entrevista:

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Capitão Barcarollo conta a dificuldade que tiveram para atuar nas primeiras horas e levar segurança a população (Foto: Arquivo/Tudo Sobre Xanxerê)

TUDOSOBREXANXERE.com.br: Como foram as primeiras horas referentes à ocorrência do tornado, em Xanxerê por parte da Polícia Militar?

CAPITÃO BARCAROLLO: Ao perceber a gravidade da situação, a primeira medida adotada foi convocar os policiais de Faxinal dos Guedes, Bom Jesus, Ipuaçu e Xaxim para apoiar o policiamento local e atender o potencial aumento da demanda. Prevendo que com o cair da noite a situação se agravaria, fizemos contato via rádio – único meio de comunicação que ainda funcionava – com um policial de Bom Jesus, e esse se encarregou de informar o Comando Geral. Na mesma tarde, como não havia como contatar as autoridades, desloquei até a prefeitura e posteriormente ao Corpo de Bombeiros, onde ali já se encontravam o Major Parizotto, o Prefeito Municipal e equipes que se preparavam para coordenar as ações.

 

TSX: Qual foi a principal e maior dificuldade?

Capitão Barcarollo: Nossa maior dificuldade foi a falta de comunicação. Não conseguimos contato imediato com os escalões superiores para relatar o fato e pedir o apoio necessário.

 

TSX: De que forma ocorreu o apoio de policiais de outras cidades a PM de Xanxerê?

Capitão Barcarollo: Sim. Num primeiro momento o policiamento foi reforçado pelo efetivo dos municípios da região da 4ª Companhia, da Polícia Militar Rodoviária de Bom Jesus e da Polícia Militar Ambiental de Chapecó. No dia seguinte  chegaram mais 20 policiais de Chapecó. Esses policiais foram aplicados diretamente no policiamento da cidade. Ao longo da semana, Xanxerê contou com o apoio de policiais do Batalhão de aviação e Batalhão de ajuda Humanitária.

 

TSX: Na primeira noite pós-evento como foi a segurança nos locais atingidos? Houve registros de vandalismo, ou furtos, em meio ao cenário de tragédia?

Capitão Barcarollo: Como o telefone de emergência estava inoperante, não haviam chamadas e nem registros das ocorrências e não tínhamos como aferir a real situação. A estratégia adotada – com o apoio de viaturas da Polícia Militar Rodoviária e Polícia Militar Ambiental – foi “saturar o terreno” com viaturas com as luzes intermitentes ligadas, de modo que cada pessoa pudesse visualizar de imediato e acionar a PM em caso de necessidade. Na primeira noite havia cerca de 12 viaturas rondando ininterruptamente. Na noite seguinte foram montadas barreiras nos acessos da área atingida.

 

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Com apoio do Exército, a PM de Xanxerê esteve pelas ruas especialmente a noite (Foto: Arquivo/Tudo Sobre Xanxerê)

 

TSX: De que forma a segurança foi reforçada? A vinda do Exército auxiliou a PM de Xanxerê?

Capitão Barcarollo: O policiamento foi reforçado com o apoio de policias de Chapecó, que aqui permaneceram pelos dez dias que seguiram o evento crítico. O Exército nos apoiou por duas noites, nas barreiras de controle de acessos.

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Cerca de 200 homens do Exército Brasileiro estiveram em Xanxerê (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)

TSX: Qual a visão da PM um ano depois da passagem do tornado?

Capitão Barcarollo: O trabalho de recuperação é lento e se dá por estágios. Alguns estágios são mais complexos e demorados, mas o mais importante é evitar que o processo sofra solução de continuidade.

 

TSX: A ação dos policiais da Patrulha Rural no salvamento dos irmãos na casa que ficou destruída pelo vento e matou o pai, foi bastante comentada. Como o senhor, como comandante, avalia esse procedimento deles?

Capitão Barcarollo: Foi um acontecimento que por certo impactou significativamente as vidas dos policiais, dos familiares e das vítimas. O heroísmo dos policiais foi devidamente reconhecido pelo comando da PM e as referências elogiosas constam nos assentamentos  dos policiais.

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PMs de Xanxerê auxiliaram no resgate de duas crianças, no local onde o pai havia perdido a vida (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)

 

TSX: Hoje os policiais estão mais preparados para atuar em ocorrências dessa natureza?

Capitão Barcarollo: Atuar em crises faz parte da natureza da atividade policial e militar. Logicamente que vivência de uma situação crítica inocula para a próxima, em que pese cada situação tenha suas próprias características. Arrisco a dizer que os policiais estão mais preparados, sim, e podem melhorar, bastando para isso potencializá-los com a logística necessária.

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