Miri sobre um ano do tornado: “solidariedade, superação e trabalho da comunidade”

Aline Tonello/Carol Debiasi

Mesmo tendo que administrar uma situação tão grave e que exigia toda a organização e planejamento possíveis, o prefeito Ademir Gasparini não deixou de se sensibilizar com o sofrimento da população e jamais vai esquecer o dia 20 de abril e todos aqueles que se sucederam até que tudo estivesse minimamente encaminhado. Hoje, um ano depois da tragédia, Miri relembra das dificuldades, mas destaca principalmente a força de vontade e a união do povo xanxerense para começar de novo.

Em entrevista concedida ao TUDOSOBREXANXERE.com.br, Miri fala sobre as dificuldades enfrentadas, o trabalho realizado em conjunto com a segurança pública, entidades, governos estadual e federal. O prefeito ainda comenta sobre algumas polêmicas e o que ainda falta para que tudo fique 100%. Confira a conversa com o prefeito.

TUDOSOBREXANXERÊ.com.br: Prefeito, um ano depois do tornado, qual é a sua avaliação do trabalho realizado?

Prefeito Ademir Gasparni (Miri): Foi um momento de muita dificuldade e de muita tristeza para todos, principalmente para as pessoas que foram atingidas. A preocupação nossa enquanto Poder Executivo foi a de que nós tínhamos que atender a todas as famílias, a todas as pessoas que foram atingidas de uma maneira ou de outra. Infelizmente algumas famílias tiveram a perda dos seus familiares, outras pessoas que tiveram lesões sérias, amputações. Então a gente viveu esses momentos junto com todos, à frente de uma situação que nunca imaginávamos que ia acontecer. Não tinha ninguém preparado para dar um atendimento diferenciado naquele momento. Mas de tudo isso a gente conseguiu tirar muitos aprendizados porque a gente conviveu com muitos tipos de situações que mexem com aqueles que estão à frente do planejamento, buscando soluções. Tivemos uma grande parceria com o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Defesa Civil, que chegaram por primeiro.

 

TSX: O que mais te marcou nisso tudo?

Miri: A gente não consegue esquecer o desespero da população, a destruição que o tornado causou num momento que ninguém esperava e a forma como as pessoas se comportaram. Elas caíram em desespero, mas se organizaram muito rápido junto com as pessoas que estavam auxiliando. Elas buscaram recursos, ajuda e abrigo da maneira que podiam e os órgãos de assistência estavam prontos para atender. Então eu acho que o que me marcou no dia do tornado foi que, por mais que você pense que você está preparado para uma situação como essa, você não está preparado para enfrentar catástrofes e dificuldades daquela natureza. E também me marcou muito a solidariedade, superação e o trabalho do povo de Xanxerê, o trabalho em conjunto das entidades, clubes de serviços, associações e isso ajudou muito na superação.

 

TSX: A comunidade, especialmente os moradores das áreas atingidas, se manifesta demonstrando insatisfação com o poder público, de que a ajuda não teria chegado como gostariam, questionando a aplicação dos recursos destinados e até acerca dos desvios de donativos, enfim. Como avalia essas críticas?

Miri: Eu penso que a crítica é natural, mas em nenhum momento houve má fé de ninguém. Quando nós iniciamos, no dia seguinte do tornado, reuniões para ver ações para recuperar o município, eu fiz questão de chamar o Ministério Público para participar e participou desde o segundo dia até o final da recuperação do município praticamente. Não para fiscalizar, mas para orientar, porque ali não tinha ninguém mal intencionado, para auxiliar no necessário e fazer tudo de forma legal. Então a crítica a gente entende que era um momento de dificuldade, de desespero que cada um passava e o poder público não tem condição imediata de atender na hora tudo. A reconstrução passa por um processo, tem várias fases e as pessoas às vezes não entendem que se precisa respeitar as leis e a burocracia que impera nesse país em todos os órgãos públicos e talvez as pessoas não sejam atendidas na hora que queriam, mas posteriormente foram atendidas. Então eu estou tranquilo no que diz respeito ao poder público na reconstrução da cidade.

 

TSX: A situação da iluminação pública naqueles bairros só foi reestabelecida por total às vésperas de completar um ano do tornado e isso foi um dos fatores que gerou também bastante crítica, especialmente pela insegurança que as ruas às escuras traziam. Porque demorou tanto?

Miri: Todo o processo de recuperação tem suas fases. Nós tivemos praticamente 450 postes que foram levados pelo tornado. Então houve aquele tempo necessário para reposição de todos os postes. Houve o tempo necessário também para que a gente, com os recursos e condições que nós tínhamos, fazer um primeiro atendimento em locais mais críticos por onde passou o tornado. E a falta de recurso também, porque o tornado levou praticamente todo o planejamento financeiro do município de 2015. Nós tivemos que tirar recursos de outras Secretarias para colocar no atendimento da população, na reconstrução.

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TSX: A atual situação política e econômica do Brasil contribuiu para certos atrasos na ajuda aos atingidos pelo tornado?

Miri: Sem dúvidas essa situação que passa o país, tanto política como economicamente, contribuíram para que algumas ações não acontecessem de uma forma mais imediata, até por conta da própria burocracia, que houve uma demora maior na liberação de recursos e até de documentos. A receita do município teve uma queda considerável. Como o Estado e a União passam por dificuldades, isso reflete no município. Nós tivemos a falta de recursos para investir de forma imediata, mas graças à representatividade política que o município tem, reconhecendo a participação do deputado Gelson Merísio, do secretário da Fazenda Antônio Gavazzoni e do carinho que o governador Raimundo Colombo tem pelo município de Xanxerê, isso fez com que, através do Fundo Social e do secretário Celso Calcanhoto, também liberassem os recursos necessários para que a gente agora complemente toda a reposição e toda a área atingida. Então são fases que a gente tem que passar, vencer, para concluir uma recuperação total de uma área atingida pelo tornado.

 

TSX: A ação do voluntariado, seja de entidades ou de pessoas anônimas de Xanxerê, da região e de outras partes do Brasil, foi algo surpreendente. O que te chamou a atenção quanto a essa situação?

Miri: Isso entra na solidariedade do povo catarinense, principalmente do povo do Sul do Brasil. Vieram pessoas do Paraná, do Rio Grande do Sul, ônibus vinham trazer essas pessoas. Chegamos a ter dias de trabalho de reconstrução com cerca de 1.300 pessoas trabalhando. Pessoas que vieram de fora e que colocaram a mão da massa, que vieram para fazer o trabalho pesado. Teve essa ajuda, não só de trabalho, mas também ajuda psicológica dessas pessoas que vinham trabalhar e que traziam uma palavra de conforto, traziam carinho, atenção às pessoas atingidas e isso motivou para que também as pessoas atingidas erguessem a cabeça e também colocassem a mão na massa. Cada um fez a sua parte e isso contribuiu substancialmente para que a reconstrução fosse mais rápida. Então a vinda desse pessoal, a solidariedade do Brasil todo, esse pensamento positivo, as orações que foram feitas o Brasil inteiro para que, naquele momento, as pessoas tivessem forças, tivessem coragem, tivessem determinação. Isso foi um somatório de situações que culminaram na recuperação do município.

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TSX: O que falta terminar de ser reconstruído?

Miri: Alguma coisa em residências que foram totalmente destruídas e que o proprietário tem uma qualidade de vida de um porte médio e não aceitou a casa modular, por exemplo, esse está reconstruindo uma casa maior, até melhor do que tinha, com recursos que ele tem, recursos que foram repassados por meio de doações e propriamente materiais de construções que também foram repassados. Então esses ainda estão concluindo. E o ginásio, que é outra obra pública. Então são ações e situações que ainda faltam ser concluídas para a gente fechar 100% da reconstrução. O cenário que se tem hoje, se passar pela região que foi atingida pelo tornado, é um cenário de uma cidade praticamente reconstruída, reerguida. Uma cidade nova.

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