Solidariedade: o trabalho em conjunto que fez a diferença na reconstrução

Carol Debiasi

A solidariedade de todo país fez com que os atingidos conseguissem se reerguer depois do tornado que deixou parte da cidade destruída. Minutos depois do tornado, tanto aqueles que tiveram suas casas atingidas como os moradores dos locais que não sofreram danos começaram a se ajudar, confortando as famílias e auxiliando na recuperação dos bens que restaram após a destruição. Ainda na noite do dia 20 de abril o poder público e voluntariados planejavam ações para dar assistência.

A diretora da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, a assistente social Luciana Contini, relembra que na noite todos se empenharam para ajudar quem mais precisava em meio ao desespero e a angústia. Horas depois donativos começaram a chegar no Parque da Femi, quando também iniciaram os atendimentos por parte dos profissionais da saúde, como psicólogos.

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O Parque da Femi foi o principal ponto de recebimento de donativos (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)

Os dias foram passando e as famílias recebendo kits como água, material de limpeza, alimento e até mesmo roupas. O trabalho de assistencialismo permaneceu por meses, bem como a distribuição de materiais para que as famílias pudessem reconstruir suas vidas e seus lares.

– O nosso trabalho realmente iniciou na noite do dia que aconteceu o fato. O primeiro trabalho da Secretaria foi identificar um espaço para acolher as famílias que estavam desabrigadas e não tinham nenhum familiar para poderem se acolher. Na noite do ocorrido estivemos na Escola Pequeno Príncipe e a gente fez a acolhida e permanecemos lá por aproximadamente três dias. No segundo dia convocamos toda equipe da Secretaria de Assistência Social e fomos para rua fazer o levantamento de quem tinha sido atingido e repassar a Defesa Civil. Paralelo a isso estivemos na Femi, onde tínhamos uma equipe para o recebimento das doações. Desenvolvemos o trabalho de levantamento por uma semana e, enquanto isso, tínhamos uma equipe de apoio na própria Secretaria que fazia o atendimento direto as vítimas. As pessoas vinham até aqui, tínhamos algumas psicólogas para fazer o trabalho de acolhida e acalmar essas pessoas, e a liberação dos kits emergenciais, como cesta básica e água. Estendemos esse trabalho por uns 15 dias na qual fazíamos a triagem dos donativos e encaminhávamos para o ginásio do Colégio Costa e Silva, aonde as doações vinham do Parque da Femi, porque era muito mais perto das famílias realizarem a retirada – explica Luciana.

Após as primeiras semanas de trabalho para ajudar as famílias, a equipe se concentrou no Centro  de Referência de Assistência Social (Cras) na qual atendeu 2.112 famílias ao longo de dois meses. Lá, os atingidos retiraram materiais de limpeza, água e alimentos.

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Todo tipo de donativo chegava até o Parque da Femi (Foto: Carol Debiasi/Tudo Sobre Xanxerê)

 

Solidariedade

Luciana lembra ainda que pessoas de todas as regiões do Estado, bem como do Paraná e Rio Grande do Sul, estiveram em Xanxerê para ajudar os atingidos, em um primeiro momento removendo escombros, retirando entulhos e deixando os locais das casas destruídas limpos para o recomeço.

– Eu acredito que todo mundo participou direta ou indiretamente, não só as entidades, mas voluntários, a gente sabe o quanto tivemos de voluntários de vários locais, tivemos um grupo da Udesc de Florianópolis de estudantes que estiveram conosco por quatro dias fazendo esse trabalho realmente pesado, que era de retirar os entulhos. Foram quase que 60 dias que pessoas de fora no município auxiliaram nesses serviços. As pessoas que não foram atingidas a disponibilidade delas de fazer a triagem das roupas, de acolher essas famílias, então foi um trabalho muito lindo – explana a diretora sobre o trabalho voluntário da população.

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O ginásio do Costa e Silva também foi ponto de seleção de donativos (Foto: Leticia Faria/Tudo Sobre Xanxerê)

Um ano depois

Luciana acredita que a lembrança ainda é muito recente e que isso vai permanecer na memória do povo xanxerense, desde aqueles que perderam tudo, até aqueles que através de um gesto de amor puderam auxiliar a comunidade num todo.

– Por mais que já se passou um ano, a gente sente que o tornado ainda está bem presente na vida das pessoas. Muitas famílias ainda não conseguiram concluir suas casas, e aquelas que conseguiram a gente sente que o sofrimento está dentro, que estão sofrendo porque não apagaram tudo aquilo que viveram no dia. A questão psicológica ainda é muito forte e não podemos dizer que o tornado já passou – finaliza Luciana.

A tabela abaixo mostra os dados contabilizados pela Secretaria de Assistência Social nos 20 primeiros dias após o tornado:

Tabela 1
Os itens contabilizados pela Secretaria foram entregues nos 20 primeiros dias. Após, o atendimento foi direcionado para o Cras, onde 2.112 itens foram entregues no período de dois meses após o sinistro

Na tabela a Secretaria contabilizou quantas famílias foram atendidas ao longo das primeiras semanas:

Tabela 2

 

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